Programa de Mestrado em Healthcare Management - HCA660 - 2.3

Auditoria de profissões de saúde

Conteúdo organizado por Angela Maria Moed Lopes em 2022 do livro Auditoria em saúde, publicado em 2014 por Haino Burmester e Marlus Volney de Morais, editora Saraiva.

Auditoria de profissões de saúde

Objetivos de Aprendizagem

Introdução

Levando-se em consideração que a auditoria em saúde é um importante instrumento para o controle e avaliação nas instituições de saúde e que exige o conhecimento técnico de diferentes profissões, podemos caracterizá-la como uma prática multiprofissional de elevado grau de complexidade. O Conselho Federal de Medicina (CFM), por meio da Resolução n.1.614, de 8 de fevereiro de 2001, determina que o médico auditor, quando integrante da equipe multiprofissional de auditoria, deve respeitar a liberdade e a independência de todos os colaboradores. A demanda pela diversificação das equipes de auditoria é crescente, principalmente em virtude da incorporação de novas tecnologias e de recursos que apoiam o tratamento médico. Com exceção das auditorias médicas e de enfermagem, a presença de outros profissionais de saúde nas equipes de auditoria ainda é relativamente pequena, porém aumenta a cada ano. Podemos perceber, com o exposto, que a complexidade da auditoria de saúde exige a articulação de diferentes conhecimentos, resultando na participação de diversos profissionais. Neste tema, abordaremos as características da auditoria realizada por diferentes profissionais de saúde.

Fisioterapeutas

De acordo com Longhi (2021) os procedimentos executados pelos profissionais fisioterapêuticos contribuem significativamente para os gastos públicos relacionados à assistência ambulatorial, o que justifica a implementação de sistemas de controle e avaliações mais específicos, que sejam executados por estes profissionais, visto que os mesmos possuem amplo conhecimento técnico sobre os procedimentos realizados. Ressalta-se que este conhecimento é essencial para melhorar a efetividade na identificação e prevenção de possíveis fraudes, perdas, malversação dos recursos e, sobretudo, garantir a qualidade da assistência à saúde.

O Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (Coffito) determina que o profissional fisioterapeuta é capaz de atuar “multiprofissional, interdisciplinar e transdisciplinarmente no desempenho de atividades de planejamento, organização e gestão de serviços de saúde, públicos e privados, entre outros, além de assessorar, prestar consultoria e auditorias no âmbito de sua competência profissional, conforme disposto no inciso V e IX da Lei 6.316,de 17 de dezembro de 1975” (Longhi, 2021, p. 15). Destaca-se, no âmbito da auditoria em saúde, a relevância da atuação do fisioterapeuta na elaboração de planos de cuidados e de protocolos de tratamentos fisioterápicos, bem como seu papel na auditoria concorrente, para avaliação direta destes (Morais & Burmester, 2014; Longhi, 2021).

Farmacêuticos

O Conselho Federal de Farmácia (CFF) descreve as competências do farmacêutico auditor na Resolução n. 508/2009. Nesta, o CFF afirma que compete a esse profissional, na função de auditor líder, diferentes atribuições, tais como a definição de procedimentos, metodologias e técnicas a serem utilizadas no exercício da auditoria e a sua interação com os demais profissionais da equipe, no processo de organização e realização de auditorias (Longhi, 2021).

Dentre as funções do auditor farmacêutico, destacam-se a composição de listas e tabelas de medicamentos para padronização nas farmácias hospitalares ou ambulatoriais e a análise de fornecedores de produtos para a assistência. Este profissional também deve estar presente na área de regulação e parametrização das operadoras, analisando códigos, documentações legais, descrição de produtos e critérios de usos de materiais e medicamentos no atendimento ao beneficiário. Na auditoria de liberação, o auditor farmacêutico realiza a análise dos medicamentos solicitados, interação e posologia. Na auditoria concorrente, a atuação deste profissional permite avaliar se a dispensação dos medicamentos e insumos está correta e coerente com a prescrição, bem como avaliar possíveis eventos (erros ou reações, por exemplo), contribuindo para o seu uso racional (Morais & Burmester, 2014; Longhi, 2021).

Odontologia

O Conselho Federal de Odontologia (CFO), por meio da Resolução n. 118/2012, regulamenta a auditoria como controle de qualidade dos tratamentos odontológicos realizados. Nas operadoras de planos odontológicos, a auditoria direciona a otimização dos procedimentos atuais e futuros. O auditor odontológico exerce diferentes funções, incluindo a análise da condição de saúde oral da população, a elaboração de políticas de saúde oral, a identificação das necessidades e expectativas do paciente em relação ao serviço odontológico, a avaliação da oferta odontológica e dos serviços de saúde, dentre outros. Nas operadoras de planos odontológicos observa-se um aumento progressivo da participação do auditor odontológico, particularmente no que se refere à auditoria de procedimentos de cirurgia bucomaxilofacial (Morais & Burmester, 2014; Longhi, 2021).

Estudo
de caso

A auditoria em saúde avalia os processos e resultados da assistência à saúde, presumindo o desenvolvimento de um modelo de atenção adequado, coerente com as legislações videntes. No estudo de Ayach et al. (2013), os autores avaliaram as atividades da auditoria no serviço de saúde bucal do Sistema Único de Saúde. Os autores observaram que a atuação do auditor odontológico é ampla no gerenciamento do sistema, consistindo no controle, na avaliação, na supervisão, na orientação e na garantia da participação social e acesso aos serviços. O auditor odontológico avalia, monitora e fiscaliza o planejamento das estratégias e os procedimentos efetuados na saúde bucal, também realiza o cadastramento dos profissionais, das unidades de saúde e a programação física orçamentária, dentre outras atividades. Conclui-se que o sistema de auditoria é uma ferramenta de gestão confiável e essencial para os gestores no desenvolvimento das ações de saúde. Acesse o estudo na íntegra por meio do link

Link: <https://bit.ly/3XoYusN>. Acessado em 17 de janeiro de 2023.

Nutricionista

Os custos relacionados às dietas enterais e parenterais têm aumentado progressivamente nos últimos anos, em virtude do aumento das indicações de tratamento e do aumento do custo dos insumos, materiais e das dietas. Desta forma, torna-se imprescindível a atuação do nutricionista na auditoria da terapia nutricional, realizando a análise de protocolos e indicações, de modo a contribuir para a redução desses custos e garantindo a qualidade do atendimento para os beneficiários das operadoras de planos de saúde. Ressalta-se que este profissional também deve participar da elaboração de planos de cuidados a pacientes crônicos e em assistência domiciliar (Morais & Burmester, 2014; Longhi, 2021). No quadro a seguir, apresentamos propostas de ações que integram a auditoria a outras áreas de atuação.

Quadro1: Propostas de ações abrangentes em processos de auditoria.

MACROPROCESSO
OBJETIVO
QUEM FAZ
Regulação Assistencial
Qualidade da atenção: liberação, auditoria concorrente, auditoria analítica; análise de perfil epidemiológico com captação de casos para monitoramento.
Auditoria + Epidemiologia Clínica
Regulação do Acesso
Montagem  de protocolos e pacotes, com melhoria do processo de análise prévia, e  sistematização dos pareceres.  
Auditoria + Tecnologia de Informação + Estatístico
Regulação de Tecnologias
Avaliação de tecnologia, com definição de custo efetividade e elaboração de protocolos específicos para incorporação.
Auditoria + Saúde Baseada em Evidências + Economia da Saúde
Regulação de Prestadores
Qualificação do atendimento do prestador, avaliação da suficiência de rede.
Auditoria Clínica + Tecnologia da Informação
Regulação de Resultado
Análise de desempenho de toda a rede de atendimento, visando à adequação do modelo de remuneração.
Auditoria + Epidemiologia Clínica + Economia da Saúde

Fonte: Morais e Burmester (2014, p. 54).

saiba mais

A auditoria tem por objetivo avaliar se as ações de saúde estão de acordo com as determinações exigidas, de forma a melhorar a qualidade dos serviços e reduzir seus custos. A auditoria é uma ferramenta de gestão complexa, visto que cada tipo de serviço avaliado possui particularidades, por isso exige a atuação de diferentes profissionais da área da saúde. Takizawa e Slob (2020) abordam, em seu artigo, a importância do papel do biomédico na equipe multiprofissional da auditoria em saúde. Acesse o conteúdo do artigo, na íntegra, por meio do link:

Link: <https://bit.ly/3WCreNj>. Acessado em 17 de janeiro de 2023.

Conceitos Fundamentais:

Epidemiologia clínica: é um subcampo da epidemiologia particularmente voltado às soluções de questões relacionadas ao risco, terapêutica e prognóstico que se apresentam na prática clínica.

Malversação: má gerência ou má utilização (Oxford languages).

Materiais Complementares:

Em resumo

Neste tema você compreendeu que a atividade de auditoria em saúde é complexa, por isso exige a atuação de diferentes profissionais de saúde, como médicos, enfermeiros, odontólogos, fisioterapeutas, nutricionistas e farmacêuticos, que constituirão uma equipe multiprofissional de auditoria, no intuito de garantir a assistência à saúde de qualidade. No próximo tema você irá compreender as características do financiamento em saúde. Até breve!

na ponta da língua

Referências
Bibliográficas

Burmester, H. & Morais, M.V. (2014). Auditoria em saúde. São Paulo: Editora Saraiva, 1° Edição, 172p.

Longhi, J.G. (2021). Auditoria hospitalar. Curitiba: Contentus, 97p.

questões

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Auditoria de profissões de saúde

Livro de Referência:

Auditoria em saúde

Haino Burmester e Marlus Volney de Morais

Saraiva, 2014

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